Tentativa de internacionalização do conflito na República de Cabinda

Tentativa de internacionalização do conflito na República de Cabinda

Perante a tragédia em que se encontra Cabinda hoje, a única escapatória parece ser uma internacionalização do conflito. As várias tentativas empreendidas desde 1960 para garantir a libertação do território e do povo cabindense foram improdutíveis, esmagadas num muro de silêncio que, em Portugal e no mundo, rodeia a luta.

Já em janeiro de 1960, os representantes dos movimentos nacionalistas cabindenses encontraram o secretário general da ONU, entregando-lhe uma petição pela independência de Cabinda.

Como resposta, o organismo na sua Declaração do “direito dos povos colonizados à autodeterminação”, colocou, na resolução 1542, Cabinda como enclave de Angola, afastando subtilmente a questão espinhosa do caso Cabinda.

Quanto à OUA que colocou Cabinda como 39º país a ser descolonizado, Angola sendo o 35º, nunca interveio mais além. Essas contradições adicionadas aos graves erros de descolonização cometidos por Portugal resultam no descarte de responsabilidades, fechando-se no silêncio e esquecendo o problema cabindense, não sendo, por exemplo, a nenhuma pauta dos organismos ou países precitados.

O destino de Cabinda está selado: país esquecido, abafado pelo odor do petróleo e condenado a um drama de sangue. A ausência de solução diplomática alcançável, Cabinda assaltado torna-se Cabinda assaltante procedendo aos raptos de civis europeus, nomeadamente portugueses, para atrair a atenção mediática que, curiosamente, tem mais impacto do que a própria situação.

Originally posted 2018-01-19 12:09:05.

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