GOVERNO DA RD-CONGO PREOCUPADO COM INCURSÕES DO EXÉRCITO ANGOLANO

Uma informação que circula nas redes sociais dá conta de que o Conselho de Ministros da RDC reunido na sua 36a sessão no dia 19 de Junho de 2020 manifestou a sua preocupação pelas incursões actuais das FAA em território congolês, via Lukula. Segundo o porta-voz do governo congolês essas incursões acontecem no encalço dos Combatentes da FLEC. Assim sendo, o Executivo da RDC recomenda que se leve a denúncia dessa violação junto dos organismos sub-regionais, sem prejuízo das discussões bilaterais com Angola sobre o assunto. (Fonte Jephte Kitsita, 20/06/2020).
Algumas considerações:
1. Desde que Angola invadiu os dois Congos em 1997 (?) resultando no derrube dos governos ali instalados, se abriram as portas para operações militares de forças de defesa e segurança de Angola nesses territórios no encalço dos guerrilheiros.
2. Os campos dos refugiados no Baixo Congo nem sempre foram respeitados no âmbito do direito humanitario, facto denunciado por activistas cabindeses junto do HCR.
3. Dessas operações resultou a captura e execução sumária de destacados guerrilheiros, factos amplamente divulgados.
4. Com a eleição do PR João Lourenço houve movimentações diplomáticas intensas no sentido da pacificação da sub-regiao dos Grandes Lagos procurando a solução dos conflitos pela via negocial. Era suposto que o exemplo partisse da nossa casa. Quando a casa do vizinho está a arder, ponha barba no molho!
5. O novo paradigma do PR João Lourenço consiste em não dar qualquer visibilidade a FLEC, preferindo apostar em acções encobertas a nível de Intelligence e operações de perseguição das bolsas de guerrilha ainda activas no território.
6. Essas acções acontecem amiúde para além das nossas fronteiras onde supostamente se acoita a retaguarda dos beligerantes, violando a soberania desses Estados.
7. Há uma semana foi executado o chefe duma aldeia do Tchiamba Nzassi (República do Congo) e seu secretário por forças de defesa angolanas. O acto foi denunciado e divulgado em Ponta-Negra, no Congo-Brazzaville. Desconhece-se qualquer reacção oficial das autoridades congolesas.
8. O conflito de Cabinda não vai ser resolvido por via militar. Depois da liquidação do último guerrilheiro terão de liquidar também o último Cabindês. Enquanto houver um só Cabindês a respirar ainda a causa permanecerá viva e o facho aceso.
Conclusão:
Vamos ao diálogo e baixemos as armas! O belicismo só vai adiar a solução e repristinar continuamente o problema.

Cabinda, 21/06/020
Raul Tati
Deputado angolano da UNITA no parlamento em Luanda, Angola.